15 junho 2020

P & S

Nos tempos iniciais do confinamento e por várias vezes, pensei em escrever estas palavras. 
São palavras que procuram alguma catarse de tempos passados, mas sobretudo e no final pretendem ser palavras de agradecimento e de votos de felicidades para com quem em tempos, senti zanga, desprezo, traição e sobretudo, desilusão.
As relações entre pares, sobretudo se são ou foram pessoais, deixam uma marca de tal forma profunda que nem sempre se conseguem apagar da nossa história. São marcos que nos fazem divergir ou optar por caminhos diferentes daqueles que até então vinhamos a tomar.
Foram necessários muitos anos para que conseguisse voltar a estas marcas, que outrora me trouxeram sentimentos menos saudáveis mas que também me fizeram criar este espaço e fazer de alguma forma, também essa catarse.
Falamos de desilusão, quando os mais próximos não têm a frontalidade de nos dizerem em voz própria que seguiram um caminho que se sobrepõe ao nosso, não para nos acompanhar mas para nos substituir; mas também quando os mais próximos não nos dão a mão para nos acolher em momentos de dificuldade.
É (ou foi no caso....) com muita pena e muita desilusão à mistura, que por vozes de outros, tomamos consciência dos caminhos sobrepostos e diferentes que se tomaram.
Como disse inicialmente, houve sobretudo muita desilusão e muita mágoa associada, mas ao fim de todos estes anos e concerteza em resultado de tantos outros caminhos percorridos, quero apenas deixar o meu agradecimento.
Agradecimento por todos, e foram muitos, os momentos de felicidade e partilha, todos os risos e choros passados em comum, todos os lugares comuns, todas as pessoas comuns e sobretudo todas as aprendizagens que me ficaram também marcadas e que me permitem ser quem sou agora e todos os novos caminhos e desafios percorridos.
Não sei se terei oportunidade de agradecer pessoalmente e também não sei se isso é verdadeiramente importante. Será o que tiver de ser, como tiver de ser e quando tiver de acontecer.

Obrigado P
Obrigado S

Sejam muito felizes com as escolhas que fizeram até aqui e com todas as que possam fazer de hoje em diante.
 

12 março 2012

Pode ser que seja desta....

Pois passado algum tempo,(muito para alguns, nem tanto para outros), dedico algum desse mesmo tempo para umas quantas palavritas que divagam por estes lados....
Muito já se passou e nem consigo lembrar-me de tudo. Alguns momentos marcantes, outros que surgiram apenas no caminho. Todos eles por aqui andam.
Ultimamente um desejo - reencontrar algumas pessoas que já não avisto faz tanto tempo. Pedir-lhes desculpa por este tempo em que não consegui fazer ou dizer mais do que um telefonema ou mensagem naquelas alturas do ano em que sempre me lembro dos muitos e bons momentos passados em conjunto. Nunca deixei de sentir o mesmo por todas aquelas gentes, apenas precisei que não estivessem tão presentes como dantes.
Por entre as mais variadas formas de catarse a que este espaço de viagem com algumas paragens deu origem, fiquei especialista em agricultura virtual, também p
or não ser tão exigente do ponto de vista das palavras. Das palavras pensadas, das palavras escritas, das palavras lidas ou sentidas em qualquer lugar e a qualquer hora.
Gosto muito das novas gentes que se juntaram à viagem e daquelas que já viajavam também.
São a cada dia que passa, o alento e a motivação para continuar na viagem, fazendo aqui e ali umas quantas paragens para desfrutar de tudo e todos os que nos rodeiam, mesmo quando aparentemente o único motivo por que vale a pena parar é simplesmente a aprendizagem que resulta dessa experiência "menos boa" para tentar fazer melhor na paragem seguinte.
Um à parte para terminar - encontrei, faz pouco tempo, um livro de viagens que fala sobretudo das paragens do autor durante o percurso... São essas paragens as
marcas que ficam daquela viagem... daquela e de todas atrevo-me a dizer!
Até à próxima paragem.





24 julho 2010

FINALMENTE... FÉRIAS!!!

ah pois é... finalmente estou de férias e mais do que isso, sinto-me de férias.
isto de ter de partilhar algumas partes da vida e conciliá-las de modo a ter esta sensação, já não acontecia faz algum tempo.
é ainda tempo de pensar e de mudar a página para outras estórias ou histórias...
aproveitar o sol, a praia, as gentes....
trabalho nem ver, nem pensar. lá para setembro...
como é boa esta sensação, pena que não dure mais tempo, mas deixem aproveitar o momento....

11 julho 2010

o tão esperado regresso (pelo menos para alguns...)

é bem verdade que faz já mais de um ano que não parava por aqui. naturalmente muito se passou durante esse tempo e não me parece que consiga agora dar conta de tudo o que foi acontecendo.
algumas mudanças de lugar, algumas mudanças de humor, algumas dores de cabeça e um tanto mal-estar.
a vontade de escrever, é para mim como a vontade de ler - ora aparece e permanece numa ávida devoração, ora só de pensar nisso fujo a sete, oito ou nove pés... (quanto mais melhor).
hoje apeteceu dar conta de algum sentimento de dever cumprido, de alguma paz de espírito numa parte de mim que esteve presente nestes tempos mais recentes.
por outro lado, pela espera sem desespero de roubar algum tempo para descansar e repensar outras partes e poder avançar para novos desafios, novas aventuras. após uma semana de retiro, de outra de algum trabalho sem pressões, o final da semana trouxe alguma surpresa, mas também alguma insatisfação e desilusão.
sobretudo passado este tempo, é bom dizer com algum conforto, que quem vai ou está longe não precisa de estar ausente, seja em África, no Braziuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu ou mesmo por terras mais próximas.
também é bom dar conta da saudade de alguém que deixou marca numa curta passagem por aqui, da mesma forma que é bom saber da companhia dos que marcam todos os dias, a todas as horas e em todos os lugares. a todos vós... EU AMO VOCÊ! - agradecido Nilton ;)
se tivesse a capacidade neste momento, acho que não parava de escrever toda a noite, nem que fosse para escrever só por escrever, talvez para compensar de alguma forma os milhares de palavras que ficaram por escrever por estes tempos.... mas hoje vou ficar por aqui, pelo menos agora...

02 novembro 2008

30 a mais ou a menos

"A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
'Quem?', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?
A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.

Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.
O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas,lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...
E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.

Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!
E pior, nunca caiu de uma. É um mole.
Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.
Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.
Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.
Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.
Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho...
Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.
Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.
No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.

Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.
Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.
E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?
E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.
Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.
Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.
Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.
Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.
É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.'

(Nota: ...os chocolates não eram gamados no 'Pingo Doce'... Ainda se chamava 'Pão de Açúcar'!!!)"


Só mesmo um Markl se podia ter lembrado de tal coisa...
Mas muitas outras ficaram por referir, basta que se faça um pequeno exercício de memória.
Mas o melhor de tudo foram mesmo as memórias que apareceram à medida que eu lia este artigo.
Este gajo deve ser mesmo de outro planeta

09 outubro 2008

para quem acredita no pai natal...

... talvez esta semana seja o antecipar de uma quase longínqua época festiva, onde toda a gente espera (e às vezes desespera) por aquela prenda especial no sapatinho.

as prendas essas ainda esperam por aquele instante da descoberta, por vezes da ansiedade, do desejo e da confirmação ou não desse desejo. talvez até de uma surpresa ainda mais surpreendente da inicial.

talvez seja a época em que o desejo é por demais evidente.

o desejo traz sempre a mudança escondida a cada descoberta, a cada decepção ou a cada realização.

espero que este ano, o desejo traga apenas e só a mudança

30 setembro 2008

de saudade em saudade, se vai preenchendo o vazio...


... o vazio deixado pelo tempo que se tem para poder recordar de quem se gosta, de quem está longe, do que se passou com prazer, dos desgostos...
há quem diga que o outono seja esse tempo, há quem apenas tenha esse tempo disponível .
há ainda, desafios que são impossíveis de recusar.
neste momento muitos desafios se colocam, mas poucos se concretizam. daí o tempo que fica para preencher o vazio de saudade.
ainda agora li uma coisa parecida a isto: "a lua tem as suas fases, a maré também. a vida é uma constante mudança."
não deixa de ser verdade, como tantas outras.
também não deixa de ser verdade, que com a chegada do outono, dá-se este tempo de ajuste para novos desafios. o meu mais recente tem 1000 peças...