05 junho 2007

reescrevendo...

No passado domingo, oportunamente, tive a felicidade de poder assistir ao programa Câmara Clara na RTP2, que teve como convidados o Rui Zink e uma outra escritora (argentina) que escreve para crianças.

Numa das conversas, foi abordado o reescrever de alguns textos e até mesmo de alguns livros em edições mais recentes.

Recordei um pequeno texto que escrevi faz agora uns dois ou três anos, e que hoje tenho a certeza de que saiu daquela forma, naquele tempo, sendo talvez o momento de hoje voltar a pensar nele, não para o reescrever mas para completá-lo um pouco mais.

Deixo-vos hoje com essa versão, daquele tempo...até à próxima!


"Era uma vez uma árvore de laranjas.
Era uma árvore muito especial pois cada uma das suas vinte laranjas tinha uma semente diferente de todas as outras. Isso fazia com que cada uma delas tivesse características diferentes também.
Variavam no peso, no sumo, na grossura da casca, no tamanho, na proximidade ou distanciamento das outras laranjas, eu sei lá….
Mas esta árvore era também especial porque tinha, não um mas quatro cuidadores que esperavam contribuir para o crescimento e bom estado dessas laranjas.
Umas vezes sozinhos, outras em conjunto, estes cuidadores olhavam por estas árvores e pelas suas laranjas num momento que se tornava mágico, tal não eram as coisas que faziam em conjunto. De brincar a saltar, de construir a derrubar, até mesmo falar, de tudo um pouco se fazia naquele momento.
Mas voltemos às laranjas….
Havia uma que era tão pesada, tão pesada que o ramo onde se encontrava quase chegava ao chão.
Outra tinha tanto sumo, que quando alguma das outras laranjas ou algum dos cuidadores lhe tocava era só ver cair no chão o sumo que vinha de dentro dela.
Uma outra ainda, tinha uma casca tão grossa tão grossa, que quase a impedia de falar e brincar com as outras laranjas.
Havia ainda duas ou três muito pequeninas, umas que gostavam muito de brincar aos encontrões, outra que queriam sempre ter a atenção dos cuidadores, outra que só queriam brincar de princesas, outras já muito maduras. Todas gostavam muito de brincar umas com as outras e em especial quando estavam os cuidadores por perto, porque sabiam que se alguma coisa não corresse tão bem, eles lá estariam para as ajudar.
À medida que o tempo ia passando, via-se que as laranjas começavam a ficar mais pertinho umas das outras e iam brincando cada vez mais, ao mesmo tempo que a ajuda dos cuidadores era cada vez menor, porque quando por vezes havia algum problema, as laranjas eram já capazes de resolvê-lo entre elas.
E assim foi. As laranjas foram crescendo até que um dia começaram a cair da árvore e iam rolando pelo chão até outros locais onde ainda não haviam árvores. Foram-se espalhando de tal forma que algum tempo depois começaram a nascer e a crescer novas árvores até que se formou um grande pomar de laranjeiras."

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